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O cheiro do Brasil (parte IV)

Ver o quanto a natureza do país e as diferenças de hábitos entre as regiões tornam cada experiência olfativa uma rica descoberta de cheiros é um privilégio até mesmo para perfumistas estrangeiros que vivem e trabalham no Brasil e são cada vez mais brasileiros, como é o caso da perfumista da Firmenich Brasil, Carmita Magalhães, uma francesa que trabalha há cerca de 10 anos no Brasil. Sobre o cheiro do Brasil, ela relata: “Muitas vezes o que parece simples, olhando mais de perto se torna bastante sofisticado... é o caso do simples cheiro de uma flor que, analisado se torna uma mistura complexa de vários cheiros (moléculas). Para o cheiro do Brasil é a mesma coisa... para chegar neste cheiro simples, misturei algumas notas: da mata Atlântica e seu cheiro verde, intenso e terroso; do cheiro fresco das cachoeiras; das praias com o cheiro confortável das maresias e do protetor solar; das frutas frescas, suculentas e coloridas das feiras, do conforto das dunas e do quente serrado com seu cheiro relaxante de macela do campo secada pelo sol.”

Sentir o cheiro brasileiro sob a perspectiva de Carmita Magalhães é como sentir o perfume feito por uma perfumista-poeta. De fato, um bom perfumista é um poeta dos perfumes, principalmente aqui para capturar a essência e as nuances diversas de um país que possui mais de 15% da biodiversidade mundial e exibe paisagens coloridas tão únicas como a Floresta Amazônica, o Cerrado, o Pantanal e a Mata Atlântica, grandes centros de negócios como São Paulo, paraísos terrestres como Fernando de Noronha e as belas praias da costa banhadas pelo azul do Oceano Atlântico e, além disso, um país que representa a unidade latinoamericana, exercendo influência na indústria e serviços de toda a região. Na realidade, perfumistas como Carmita Magalhães entendem não somente de matérias primas e da química envolvida na composição de perfumes, mas, acima de tudo, eles são profissionais que são viajantes através dos cheiros; entendem de lugares, de pessoas, emoções e prazeres que as fragrâncias trazem. Não é a toa que a perfumista vive no país há anos e complementa: “Misture estes simples cheiros, numa dose justa até se incorporarem e se confundir num cheiro único, suave, fresco e ensolarado, uma nota para todos, um convite à simpatia brasileira”.

E, a partir de agora, convido-lhe para sentir os cheiros do Brasil e pintar as imagens olfativas como uma fascinante aquarela. Sentir o vento fresco no rosto enquanto se contempla o infinito azul do mar, e depois, tomar um banho no mar, experimentar o gosto sensual do sal seco que penetra na pele bronzeada pelo ardente sol brasileiro, refrescar o corpo saudável com muita água fresca e o suco de leves tropicais frutas, mordê-las se deliciando com suas polpas suculentas, aquosas, vermelhas e amarelas e se deixar seduzir pelo gosto exótico de caseiros doces. Quando a fome chegar, sentir profundamente o cheiro da brasileira comida bem temperada que dá água na boca e, também, saciar-se com o frescor da convidativa salada de folhas verdes e coloridos vegetais, o alimento da abençoada mãe-natureza Brasil. Sorrir, sempre, e sem preocupações e sentir-se tão leve quanto à leveza dos frescos e dos aromáticos. Percorrer este país que tem a força das madeiras, o calor das especiarias, a beleza das flores e, simplesmente, o amor pela perfumaria, agora muito mais crescente.

Agradecimentos especiais aos meus convidados do artigo por colaborar com as mini-entrevistas.
Fonte estatística Maio/2009: Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene, Perfumaria e Cosméticos.

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